Corre o ano de 2014. No meio da crise,
a Madeira luta pela afetação de fundos comunitários no programa
Europa 2020. Combates fratricidas opõem os que defendem uma
estratégia baseada em fatores de desenvolvimento económico ligados
à inovação e às indústrias criativas enquanto os velhos do
regime ainda se espaventam com as infraestruturas e as piscinas e os
teleféricos sociais, enfim, o betão como Deus. Enquanto a armada do
betão apresenta uma união de esforços notável no seu sentido
corporativo, os seus antagonistas são guerrilheiros isolados, sem
estratégias conjuntas e estruturantes. A culpa é de um velho vírus,
mais poderoso que qualquer aedes aegipty e que assentou arraiais nas
gentes do intangível da Madeira. É o perverso e letal Síndroma HA.
Apesar de identificado há décadas, de conhecidos os seus
malefícios, ele continua à solta, minando todas as iniciativas de
libertação. É o bicho que se aloja nas cabeças dos gestores
culturais e que os faz pensar que as suas capelas são únicas no
Mundo e mais importantes do que todas as outras, é a bactéria que
afeta os egos dos artistas e que os incham como peixes-porco fora de
água e é o bacilo que põe uma pala nos olhos dos políticos
deixando-os com uma visão periférica que não ultrapassa a esquina
mais próxima. Mas o efeito mais perverso deste Síndroma HA é que
toda a gente tem consciência dele e da sua maldade, mas por qualquer
razão que o coração desconhece, ninguém se atreve a combatê-lo.
E assim, enquanto não nos livrarmos deste estúpido vírus,
continuaremos alegres a maldizer os milhões do orçamento que vão
para todos os outros e incapazes de provocar a verdadeira mudança
que se impõe nesta ilha à deriva no meio do Atlântico.
Um blogue destinado a fomentar o desenvolvimento da cidade do Funchal e de toda a Madeira enquanto centro criativo atlântico, potenciando gerações de jovens qualificados que não se revêm nos modelos actuais de gestão da Madeira e da sua capital.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sábado, 17 de novembro de 2012
O audiovisual mexe na Madeira
O ano de 2012 ameaça ser muito interessante para o lançamento de novos projectos na área do audiovisual na Madeira. Não só foi criada recentemente a Associação do Filme, Televisão e Multimedia da Madeira (do qual sou um dos sócios-fundadores, juntamente com o Rafael Santos e Henrique Teixeira), mas também foram criadas 3 novas produtoras que querem fazer coisas inovadoras e pujantes.
A Terminal 7, a Wamãe e a Urbanistas Digitais, respectivamente fundadas por Rui Rodrigues, Filipe Ferraz e Nuno Serrão estão já a produzir várias obras audiovisuais originais, cada uma com o estilo muito pessoal dos seus fundadores.
Um dos projectos em curso reside na produção de 4 curtas metragens de ficção com produção executiva da Die4Films e em co-produção com as 3 produtoras atrás referidas mais a Caravana Filmes de Bernardo Nascimento. Estas 4 curtas serão estreadas no âmbito do projecto Centro das Artes Global no primeiro semestre de 2013.
Quanto à AFTM, a sua fundação pretende finalmente mexer com a Madeira Film Commission e tornar a Madeira um destino atractivo para produções internacionais no sector audiovisual. Como ? A isso será dedicado um futuro artigo neste blogue.
Outro projecto que promete para 2013: o renascimento do Cinemax. A ver vamos!
A Terminal 7, a Wamãe e a Urbanistas Digitais, respectivamente fundadas por Rui Rodrigues, Filipe Ferraz e Nuno Serrão estão já a produzir várias obras audiovisuais originais, cada uma com o estilo muito pessoal dos seus fundadores.
Um dos projectos em curso reside na produção de 4 curtas metragens de ficção com produção executiva da Die4Films e em co-produção com as 3 produtoras atrás referidas mais a Caravana Filmes de Bernardo Nascimento. Estas 4 curtas serão estreadas no âmbito do projecto Centro das Artes Global no primeiro semestre de 2013.
Quanto à AFTM, a sua fundação pretende finalmente mexer com a Madeira Film Commission e tornar a Madeira um destino atractivo para produções internacionais no sector audiovisual. Como ? A isso será dedicado um futuro artigo neste blogue.
Outro projecto que promete para 2013: o renascimento do Cinemax. A ver vamos!
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Mudar de vida, mas não contrafeito
Enquanto nos debatemos no fundo deste poço em que nos
deixaram, será fundamental começarmos a pensar em mudar de vida. Em criar novas
ideias que nos façam sair da letargia que perpassa por toda a sociedade
madeirense. Eis a minha contribuição: tornar a Madeira um destino preferencial para
as produções audiovisuais internacionais, quer no campo do cinema, quer na TV.
Para que isto possa acontecer, são necessários três
requesitos cruciais: que um território possua boas condições ligadas ao clima,
luz solar e paisagens variadas; que esse território tenha uma logística
competitiva ao nível de recursos humanos, equipamentos, hotelaria e transportes
e finalmente, que essa região ofereça incentivos financeiros, fiscais ou económicos
para que seja atractiva para os produtores audiovisuais, face a outros territórios concorrentes que oferecem já bons pacotes de incentivos.
Neste momento, a Madeira
possui tudo isso, mas de forma desestruturada e descompensada. Temos dezenas de
técnicos, artistas e recursos humanos formados em escolas profissionais e universidades ligadas
às indústrias criativas que trabalham como caixas de supermercados para
sobreviver, uma Zona Franca com uma gestão caduca que só pensa no trading
especulativo como única forma de arrecadar receita e um excelente sistema de
incentivos ao investimento, mas que aponta para a economia do século passado,
aquela que nos mandou para o pântano onde nos encontramos.
Temos igualmente paisagens
extraordinárias de montanha, mar, espaços rurais e urbanos, clássicos e
contemporâneos, deserto e floresta. Tudo acessível de forma rápida e segura. Temos uma
das melhores exposições solares da Europa durante todo o ano e uma hotelaria excelente.
Temos ainda um aeroporto internacional, com mais de 20 ligações internacionais diferentes, e a maior parte delas dos principais paises europeus de produção audiovisual.
Só não temos um Governo que perceba o pote magnífico que tudo isto pode dar,
bastando para isso algum rasgo de visão que se consubstancie numa política diferente de apoio à inovação e ao desenvolvimento económico.
Há 5 anos atrás, Malta não tinha metade do que nós temos.
Hoje tem uma indústria do audiovisual que movimenta mais de 100 milhões de
euros atraindo produções de todo o Mundo. Bastou para isso ter um Governo
atento.
Subscrever:
Mensagens (Atom)